THEOTO, PEDRO ROBERTO

(Jundiaí, 5/8/1949 +28/5/1992) – Artista plástico tapeceiro. Licenciado em Artes Industriais na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, e contando também com cursos de Desenho e Pintura, sob orientação da professora Anna Luíza Bellucci, e de Extensão Universitária em História da Arte e Cultura Contemporânea, com o professor Herbert Duchenes, realizados na FAAP-Fundação Armando Álvares Penteado, dedicou-se Pedro Theoto não só à produção, como ao próprio ensino das técnicas da tapeçaria, mantendo um curso de tear manual no Centro das Artes de Jundiaí. Além das muitas exposições de que participou, no Brasil e no exterior, realizou trabalhos especiais para diversas instituições e empresas, dentre elas o Maxi Shopping Jundiaí – cujas dependências foram decoradas por ele para o Carnaval de 1991 – e o Palácio das Convenções do Anhembi (São Paulo), onde, também nesse ano, cuidou da restauração, limpeza e recuperação de todas as suas tapeçarias, bem como do recapeamento dos tubos de sustentação e caimento e recomposição das formas originais das obras de Jacques Douchez e Norberto Nícola. Sua obra é citada no livro Artêxtil no Brasil – Viagem pelo Mundo da Tapeçaria (Ed. Rita Caurio, Rio de Janeiro) e no Anuário Jundiaiense de Artes Plásticas (Ed. Literarte, Jundiaí; ed. de 1997, 1998 e 1999). Exposições: 1975 – XI Anual de Artes Plásticas da FAAP; 1976 – XII Anual de Artes Plásticas da FAAP; I Trienal de Tapeçaria de São Paulo (Museu de Arte Moderna); 1979 – II Trienal de Tapeçaria de São Paulo (Museu de Arte Moderna); Coletiva em Comemoração ao 20º Aniversário da Agência Metropolitana do Banco do Brasil (Estação da Luz, S. Paulo); IV Salão de Arte Contemporânea da Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí (Centro Cultural Bandeirantes); 1981 – Primeira Exposição Individual (Centro das Artes de Jundiaí); 1983 – II Leilão de Artes Plásticas da Feira da Amizade (Casa do Advogado, Jundiaí); 1985 – Evento Têxtil, com exposição itinerante iniciada em Porto Alegre, percorrendo o Brasil; IV Salão Michoacano Internacional de Arte Têxtil em Miniatura (Argentina, Brasil e México); First Exhibition of Braziliam Contemporary Art (Tampa-EUA; Medalha de Prata); Tendências (Museu de Arte de São Paulo-MASP); 1986 – II Individual (Museu Histórico e Cultural de Jundiaí); Mostra do Centro Paulista de Tapeçaria (Galeria do Sesi, S. Paulo); Coletiva no Centro Cultural Tao Sigulda (Campo Limpo Paulista-SP); 1987 – II Exposição do Centro Paulista de Tapeçaria (Sesc/Pompeia, S. Paulo); 1988 – Arte Têxtil – Técnicas Contemporâneas (Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro); 1989 – Exposição Didática do Centro Paulista de Tapeçaria (Sesc/Pompeia, S. Paulo); Mês da Arte Têxtil (Sesc/Pompeia, S. Paulo); 1992 – Salão de Arte Jundiaí-92 (Homenagem Especial); 1995 – Galeria Ana Terra (Vila Velha-PR). Crítica – Sobre a arte de Pedro Theoto, escreveu Jacques Douchez, por ocasião de uma de suas exposições individuais: “Até há pouco tempo a palavra ‘tapeçaria’ sugeria paredes vestidas de pomposas composições com nobres damas e cavalheiros, de caçadas triunfantes, de folhagens e guirlandas, herança de séculos desvanecidos. A essas obras de lã, de seda, produto de um artesanato milenar, associavam-se nomes de prestigiosas manufaturas francesas, flamengas, espanholas… Expressões como ‘alto liço’, ‘baixo liço’ sugeriam teares tradicionais com seus ordumes, ora verticais, ora horizontais. As tapeçarias rivalizavam nos interiores com quadros executados a óleo sobre tela, arte figurativa tradicional, bidimensional, na tradição renascentista dos séculos XV e XVI; época remota cada vez mais perdida nas penumbras da história. Os homens passam, as civilizações se renovam, e as formas artísticas evoluem, acompanhando as mutações da sensibilidade e do gosto. O homem contemporâneo, mergulhado num ambiente dominado pela máquina, num mundo assepsiado, regido pelos computadores, pretende renovar suas relações com o universo, reencontra o contato direto com os objetos, os homens, a natureza. O fio de lã voltou a ser uma fibra têxtil, quente à mão, quente ao olhar; uma fibra que se pode esticar, torcer; uma matéria amiga, cúmplice do artesão no ato criador. Esquecendo as belas damas, as opulentas frondas, o artista tapeceiro de hoje pretende pesquisar as possibilidades plásticas da lã e de outras fibras têxteis; assim, criar um mundo novo, de superfícies, de texturas, de volumes. Em cativante aventura, a arte das fibras tecidas se renova. Novos objetos tecidos, substituem a tradicional tapeçaria plana. Pedro Theoto está vivendo essa aventura e oferece na presente mostra, os objetos tecidos, obras nascidas da sua sensibilidade, de seu gesto criador. Várias técnicas o tentaram; experimentou todas: talagarça, tear, macramê. As obras executadas em talagarça, com ponto de esmirna, têm a sedução e as limitações da técnica. São brilhantes exercícios, onde as longas fibras emprestam sua cálida textura ao rigor da composição geométrica. O tear manual já permite a Theoto mais personalidade na criação. Do tecido plano, emerge o relevo discreto de tiras a dobrar-se em rigoroso e harmonioso desenho. Na técnica do macramê, com a liberdade dos nós, com a rigidez sensual do sisal, Theoto se descobre. Associa, numa lógica imprevista, ao rigor da composição geométrica, rasgos impetuosos, amontoamentos quase viscerais de nós, de texturas, de fios soltos. Os fantasmas do inconsciente afloram; a obra adquire presença e força. “Um belo passeio num mundo que se abre.”

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