OLIVEIRA, JOSÉ FELICIANO DE

(Jundiaí, 6/3/1868 +São Paulo, 3/7/1962) – Astrônomo, ensaísta e poeta. Filho de José Feliciano e Alexandrina Maria de Oliveira. De simples vendedor de doces em Jundiaí, na segunda metade do século XIX, veio revelar-se, ainda na juventude, um dos mais notáveis intelectuais da cidade. Seus estudos penetraram todos os campos do conhecimento humano, desde Matemática, Astronomia, Economia, História, Filologia, à Etnografia e às questões sociais e de direito internacional. Pertencendo a uma família de poucos recursos, fez seus estudos preliminares em sua própria casa. Depois, estudou com João Custódio Fernandes da Silva e João Batista de Faria Paes, preparando-se sozinho para ingressar no curso secundário. Aos 12 anos, fez-se vendedor de doces para auxiliar os pais na manutenção da família. A seguir, empregou-se nos Correios, como agente-auxiliar, e foi nessa função que descobriu uma coleção de livros deixada por um polonês, antigo diretor de um colégio, e os leu todos. Veio-lhe, daí, a ideia de fundar um Gabinete de Leitura, o que aconteceu em 1882, ano em que, já tendo deixado a repartição postal, exercia as funções de secretário de José de Queiroz Telles. Aderiram à sua ideia mais de 40 pessoas, incluindo-se, entre elas, o Barão do Japi e todos os demais membros da família Queiroz Telles, Miguel Brito Bastos (que se tornaria Desembargador), J. Flávio Martins Bonilha, Artur C. Guimarães (futuro Diretor de Instrução Pública), Carolino Bolívar de Araripe Sucupira, Francisco de Paula Cruz (chefe do Partido Republicano) e Inácio Arruda (Juiz e Desembargador). Em 28 de setembro de 1884, seguiu para São Paulo, onde custeou seus estudos na Escola Normal, dando aulas particulares. Nessa época, tornou-se colaborador do jornal A Província de São Paulo (mais tarde, O Estado de São Paulo) e de O Democrata, de Niterói, publicando artigos em prol da República. Em 1885, juntamente com Júlia Lopes, Venceslau de Queiroz, Adelina Lopes Vieira, Valentin Magalhães, Henrique de Barcelos e outros nomes da literatura, fundou a Revista dos Novos, que circulou até meados do ano seguinte, atingindo uma vasta região do país. Nesta época, já colaborava com A Redenção, de Antonio Bento, e também na Procelária, dirigida por Júlio Ribeiro. Depois de formado mestre-escola (1887), José Feliciano dedicou-se, em princípio, ao ensino particular e à propaganda positivista, recusando prosseguir os estudos por conta do Império, dada a sua posição republicana. Em julho de 1889, por ato do general Couto de Magalhães, foi nomeado professor primário na Escola do Bairro de Campos Elísios, e em 1893 ingressou no corpo docente da Escola Normal da Praça da República, regendo ali, por muitos anos, as cadeiras de Astronomia e, cumulativamente, a de Mecânica, além de também substituir outros professores, nas cadeiras de Português e Latim. Tal era sua abnegação pelo ensino, que em 1894, quando construiu sua casa, na Consolação, mandou erguer, ao lado, um observatório para uso de seus alunos. Em 1902, tendo ido à Europa, em viagem de estudos, lá recebeu a notícia da sua eleição para paraninfar a turma desse ano. Por ocasião da solenidade, proferiu a conferência A Educação e a Urbanidade, cuja importância foi reconhecida pelo Governo do Estado, que a mandou imprimir e distribuir às escolas. Em 1952, 50 anos depois, a mesma foi reeditada, por iniciativa do médico João Martinho de Azevedo, para ser distribuída aos congressistas reunidos na Universidade de São Paulo. Em 1911, desgostoso com a extinção de sua cadeira do currículo da Escola Normal, resolveu aposentar-se, e embarcou para a França em 12 de junho de 1911, lá permanecendo por 40 anos, sem rever o Brasil. Na capital francesa, tornou-se colaborador dos jornais Le Fígaro e Le Monde, ao mesmo tempo em que prosseguia colaborando com o Jornal do Commércio e O Estado de São Paulo, publicando, neste, a coluna Cartas de Paris. Em 1934 o governo brasileiro atribuiu-lhe um subsídio de US$ 130 mensais e o título de Adido Especial junto à Embaixada Brasileira em Paris. Desse ano, até 1939, ministrou uma série de cursos e conferências na Sorbonne, versando sobre Astronomia e Filosofia e sobre a História do Brasil. Essas aulas foram dadas nas Faculdades de Letras e de Ciências, no Palais de La Mutualité, no Institute de Histoire des Sciences (anexo à Universidade de Paris) e no Colège Livre des Sciences Sociales, de que se tornou catedrático. Em 1951, interrompendo seu exílio, veio ao Brasil, sendo recebido, com júbilo, na Assembleia Legislativa de São Paulo, e também em Jundiaí, onde esteve para visitar o túmulo de seus pais. Ficou em São Paulo até o ano seguinte, tendo aproveitado sua estada para reunir elementos para duas novas obras: José Bonifácio e a Inconfidência e Os Pais da República nos Seus Primeiros Dias. Retornando à França, lá permaneceu até 1958. Ao regressar definitivamente ao Brasil, trouxe na bagagem a sua biblioteca, composta por 12 mil livros, os quais vieram distribuídos em 91 caixas, cada qual representando um ano da sua idade. José Feliciano viveu os seus últimos anos no bairro do Sumaré e quando se encontrava prestes a falecer, no Hospital da Beneficência Portuguesa, pediu que o seu corpo fosse sepultado em Jundiaí, no jazigo de sua família. Seus livros, ao lado de coleções como as de Lamego, Yan de Almeida Prado, Mário de Andrade, Juarez Bezerra de Menezes, Guimarães Rosa e Alfredo Éllis Jr., estão entre as coleções mais preciosas da Biblioteca Pública Mário de Andrade. Bibliografia: O Balão de Júlio Cesar e a Direção dos Balões (Ed. Louzada, SP, 1880); O Supremo Par – Poesias (1891); Elementos de Geometria, por Clairaut – Tradução e anotações (1892); Tiradentes (1892); O Novo Natal – Poesias (1898); A Propaganda Positivista em São Paulo (1898); O Partidarismo Positivista em São Paulo (1898); Les Habilités de M. Lemos (1898); prefácio de Marta, ensaio de novela positivista de Rita Feliciano de Oliveira (1899); O Descobrimento do Brasil – Esboço de apreciação histórica – 4º Centenário (1900); Cometas, Bólidos e Estrelas Cadentes (1901); A Educação e a Urbanidade (1903); A Bandeira Nacional: Estudo a Propósito de Uma Conferência (1903); Voeux et Voeux (Noisyle-Grand Servnieet-Oise; 1905); Tiradentes e a Educação Cívica (1907); A Reforma Constitucional (1908); Mon Action Positiviste à Paris (1951); José Bonifácio e a Inconfidência (1952); Os Pais da República e Seus Primeiros Dias – As Finanças na República (1952); Le Positivisme Religieu – Commemoration du Centenaire de la Mort de August Conte (1957); Os Precursores da Aviação – Seus Pais e Seus Avós – Série de artigos publicados pelo jornal O Estado de São Paulo, em 1925 (Fundação Santos Dumont, 1966).

José Feliciano, quando retornou da França, na década de 1950
José Feliciano, proferindo palestra na França
Em Jundiaí, reencontro com seu amigo Dr. Castilho
1922: Carta enviada de Paris à conterrânea Escolástica de Faria Paes
1925: José Feliciano em sua casa, em Paris, explicando a Bandeira do Brasil
1935: Curso sobre a influência francesa na cultura do Brasil
1955: O professor, com 91 anos, na véspera do retorno definitivo ao Brasil
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