GRUPO DRAMÁTICO DA CRUZADA DA MOCIDADE CATÓLICA

Plateia do Teatro da Cruzada, por ocasião do 100º espetáculo ali apresentado, em 3/7/1938

Grupo teatral fundado por Guilherme De Felippe, em 20/2/1927, junto ao Mosteiro de São Bento, onde se manteve em atividade durante cerca de 40 anos, período em que apresentou cerca de 150 espetáculos. Chamou-se, no início, Grupo Dramático Imaculada Conceição, e sua primeira peça, Vítima do Amor Filial, foi encenada sobre um palco improvisado com caixões e tábuas, onde atuaram: Guilherme De Felippe, João Róveri, Felippe Machado, Antonio Freire Bracher, Manoel Mathias dos Santos, Ítalo De Bona e João Felichero. Algum tempo depois, o teatro ganhou jogos de cenário de relevo, instalação elétrica adequada e um fino jogo de guarda-roupa Luiz XV. Em 1928, quando passou a denominar-se, oficialmente, Grupo Dramático da Cruzada da Mocidade Católica, foi o cruzado Luiz D. Franco designado para dirigi-lo e Francisco Antonio Vidile para responder pelos ensaios. Vidile manteve-se como ensaiador do grupo por mais de 20 anos, só vindo a deixar a função em Jundiaí quando se mudou para São Paulo, onde passou a dirigir o Grupo Dramático da Congregação Mariana N. S. Auxiliadora e São João Bosco. Os espetáculos do Teatro da Cruzada eram apresentados aos domingos e compunham-se, normalmente, de uma peça dramática e de uma comédia, adaptadas de textos conhecidos ou escritas pelo próprio diretor ou outros integrantes do grupo. Em diversas oportunidades, o grupo da C.M.C. reprisou seus espetáculos na Associação dos Empregados do Comércio, na Associação Atlética Dragão Mecânico, no salão da Banda Ítalo, no Caxambu, no Cine Theatro Polytheama, no Cine República e no Cine Ideal, ora em benefício da Casa da Criança, ora em benefício da Igreja de Santa Terezinha ou da Igreja Matriz de Vila Arens. Também destinou a renda de um de seus espetáculos à Campanha Pró Avião Araraquara. Apresentou-se, ainda, em várias ocasiões, no Salão da Congregação Mariana do distrito de Rocinha (atual Vinhedo) e em outras cidades do interior, como: Elias Fausto, Campinas, Rio Claro e Cordeirópolis. Depois de Vítima do Amor Filial, seguiram-se as peças A Família do Palhaço, Tio Fallot e O Incendiário de Vangirard, que se traduziu no primeiro sucesso do grupo fora dos muros da Cruzada, ao ser levada também no Cine Theatro Polytheama, no fim de 1929. Iniciando a década de 30, foram encenados os dramas O Órfão de Genebra, Cadeira Elétrica, Josué, O Guarda-costas, O Cura de Formillac e Nosso Rancho e comédias como O Pequeno Palhaço e O Expresso das 9 e 30. Em seu 100º festival, realizado em 26/6 e 3/7/1938, o grupo encenou Gonzaga ou A Revolução de Minas, de Castro Alves, peça em que seus componentes se apresentaram “com roupa adequada e a rigor”, conforme notícia estampada no jornal A Cruzada, nº 8, de julho daquele ano. Ainda em 1938, no mês de setembro, foi levada a peça Alma Sertaneja, de Patrícia Amélia Rodrigues, com renda em prol da recém-criada Guarda Noturna. Depois de apresentada no teatro do largo de São Bento, essa peça foi levada na Congregação Mariana de Rocinha, onde repetiu o sucesso que havia feito na sede da comarca. Em 4 de outubro de 1938, o cruzado Antonio Melato recebeu o grupo para um almoço em sua chácara, ao qual os amadores compareceram com babadores ostentando frases chistosas como: Teteia da Madrinha, Não me beijes, Dança Ma…cabra, Sou da Mamãe. Ainda nesse ano, no dia 27 de novembro, o grupo se apresentou no Cine Theatro República, encenando Vitória da Fé – uma montagem especialmente preparada para comemorar os 40 anos de sacerdócio de D. Abade e o 14º aniversário do jornal A Cruzada. Em 27 de agosto de 1939, em seu 110º festival, o grupo apresentou a peça Tortura, de José Apparecido Barbosa, à qual se seguiu a comédia Um Fotógrafo em Apuros. Na década de 40, foram encenados, entre outros, os seguintes dramas: A Tenda do Ferreiro; Onde só Deus é Juiz, Sublime Dedicação; O Cego do Paraguai (reencenada em 1951); Osvaldo; Drama de um Médico ou O Milagre da Fé; O Filho da Plebe ou A Hora de um Operário (de Francisco Vidile); O Escravo; Amor Cristão, Ódio Pagão; Ódio, Crença e Perdão. Comédias: Qui-quae e Quod; O Falsário; Herança Cobiçada; Uma Aposta Bem Feita; Advogado em Apuros; Quem o Alheio Veste; O Crime de Natal, Viagem de Suplício Ervilha a Santos e Casa de Loucos. Em O Drama de Um Médico (ou O Milagre da Fé), encenada em 1945, atuaram: Rubens Büll, Geraldo Melato, José Lucena, Antonio Alcides Piccolo, João Melato, Augusto Tega, Tibério Tidão, Arnaldo Sereno e Vicente Anaruma. Em abril de 1947, após alguns meses de paralisação, o grupo retomou as atividades, atraindo grande público para assistir ao drama Honrarás Teu Pai e Mãe. Depois da encenação desta peça, foi apresentado um espetáculo variado, do qual também tomaram parte vários integrantes do grupo e também o ventríloquo Vicente Alves e seus bonecos endiabrados, atração dos programas humorísticos e de auditório da Rádio Difusora Jundiaiense. Em 1948, após nova pausa nas atividades, o grupo foi reorganizado por Armando Dainese e Duvílio Caleffo e apresentou as peças Castelo Mal-assombrado, em dois atos; O Painel da Virgem, dirigida por Leonor Enfeldt, e a comédia Delegado em Apuros, que completou a sessão de 23 de outubro desse ano. Iniciando os anos 1950, o grupo encenou a peça O Louco da Aldeia, durante a qual ocorreu um episódio que acabou entrando para o folclore do teatro jundiaiense. Este se deu quando, em uma das cenas, um dos personagens, com uma garrucha apontada para o inimigo, deveria simular o disparo que o “mataria”. Como apertasse o gatilho, uma, duas vezes, sem que a espoleta explodisse (a pólvora estava vencida!), ele esticou o braço, o mais que pode, e pronunciou, em alto e bom som: “Pum!” – e o inimigo tombou “morto”, provocando sonoras gargalhadas na plateia. A Família do Palhaço foi o espetáculo seguinte do grupo, com mais de vinte personagens passando pelo palco. E no mês de dezembro foram encenadas as peças: Angústias de um Coração Materno e A Borboleta Preta. Já em 1951, foi montada a peça Garcia Moreno, à qual se seguiu, no mês de outubro, um divertido espetáculo de palco, em comemoração ao Dia da Criança. Apresentaram-se, nessa oportunidade, João Saltori, Florisbelo Savietto, Luiz Gonzaga de Oliveira (Totó), João Leone, Alfeu e Paulo Marques, mais a dupla de violeiros composta por Tito e Tite. Em agosto de 1952 o grupo voltou a se apresentar no salão da Cruzada, encenando Os Falsários, com os seguintes amadores no elenco: Paulo Marques, Geraldo Boaventura, Florisbelo Savietto, Ruy Velho, Alfeu Zomignani, Riccieri Leone, João Mezzalira Jr. e Alcindo de Mattos. Também nesse ano, foram encenados os dramas Honrarás Teu Pai e Mãe e O Sublime Perdão e a comédia Delegado em Apuros. Em 1953, com Luiz Gonzaga de Oliveira na direção do grupo, Paulo de Almeida Marques como vice-diretor, João Melato como ensaiador e Olívio Tubini e Antonio Pinto dos Santos como maquinistas, os amadores da Cruzada proporcionaram ao público espetáculos como Os Desígnios de Deus, Garcia Moreno e Honrarás Teu Pai e Mãe, além de A Grande Aurora, peça em cujos intervalos se apresentaram o tenor Egídio Tessari e as cantoras mirins Vera Lúcia e Carmem Sílvia Tessari, acompanhadas ao piano e harmônica por Maria Leni Vidile, Josefina de Oliveira e Tereza Lorenzetti, num espetáculo produzido por Francisco Vidile.  No ano seguinte, foram levadas a cena Lágrimas de Homem e Um Filho, Um Pecado, sendo a primeira delas reapresentada, depois, na Associação Atlética Dragão Mecânico. Nos anos seguintes, pouco a pouco, o grupo foi perdendo o seu antigo carisma, devido aos novos tipos de diversão que surgiam na cidade, mas, ainda assim, chegou a apresentar algumas peças de forte apelo popular, como A Vendedora de Fantasias – encenada em 1957, no jubileu de Dom Abade; O Drama de um Médico ou O Milagre da Fé – remontada em 1959, com a participação dos amadores Rubens Büll, Geraldo Melato, José Lucena, Antonio Alcides Piccolo, João Melato, Augusto Tega, Tibério Tidão, Arnaldo Sereno e Vicente Anaruma; e O Mártir do Dever, de José Apparecido Barbosa – peça com a qual o grupo praticamente encerrou as suas atividades, no início dos anos 60. Além dos amadores já citados, também fizeram parte do grupo da Cruzada: José Saltori, Ivo de Bona, Carlos Melato, José Seckler Machado (Juquinha), Jorge Murari, Eraldo Puzzoni, Elpídio Piccolo, Antonio Alcides Piccolo, Olivo Gozzo, Antonio de Oliveira (Batatais), Rubens Soares, Baptista Nalini, Euclides da Cunha, os irmãos João, Carlos e Heitor Paulo Ranzini, Manoel Simões, Vail de Oliveira, Benedito Alves Barbosa, Benedito Bento, Agostinho Bôa, Juvenal Bôa, Delfim Crispim, José Guedes, Luiz Lacerda, Alcebíades Raulino, Alcindo de Mattos, Josefina Nalini, Lucile Ângelo, Luiz D. Franco, Flávio Rossi, Ruy da Silva Velho, Inês Piccolo, Edna Piacentini, Manoel Fonseca.

Luiz Gonzaga Martins (esq.), Felippe e José Secker Machado (abraçados) João Sartori (dir.), na encenação de Gonzaga ou a Revolução de Minas, em 1938
Integrantes do Grupo da Cruzada da Mocidade Católica na década de 1950
Alma Sertaneja, de Patrícia Amélia Rodrigues, foi reencenada em 10/6/1951
O Cego do Paraguai, de Felipe Machado: atração de 15/7/1951
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Em 13 de junho de ...
1966 Nascia em Montevidéu-Uruguai a coreógrafa Lis Michele Garcia Alaniz Lopes.
2008 Falecia em Jundiaí, aos 63 anos, a pianista e bailarina Teresa Cristina Sciamarelli.

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