CINE-THEATRO POLYTHEAMA

O velho teatro, antes de entrar em decadência

Um termo originário do latim (Poly = muito) e outro do grego (theama = espetáculo) deram sentido a essa palavra, que serviu para denominar várias casas de espetáculos surgidas no Brasil, a partir do século XIX. Em Jundiaí, a expressão “polytheama” começou a se tornar conhecida em 1897, quando um cidadão de nome Albano Pereira deu entrada a um pedido junto à Intendência Municipal, tendo em vista a obtenção de privilégio para explorar um pavilhão onde faria realizar múltiplos espetáculos, desde o chamado “circo de cavalinhos” – que incluía todo tipo de atração equestre – a números de mágica, de malabarismo e de palhaços, encenação de peças de teatro e exibição de imagens por meio do cinematógrafo. Embora aprovado o seu pedido, Albano Pereira acabou desistindo do seu intento, em face dos apertados prazos que lhe foram impostos pela Câmara para executar o seu projeto (seriam seis meses para o início das obras e dois anos para a sua conclusão). Em 1908, a ideia de se dotar Jundiaí de um espaço para múltiplos espetáculos foi encampada por Francisco Köhler e Williams Knox, que fizeram instalar o Pavilhão Paulista em um terreno ao lado da antiga Empreza de Luz e Força, no início da Rua Barão de Jundiaí. Com o sucesso do empreendimento, já em 1911 esse pavilhão, que era coberto por lona, foi substituído por outro, construído em alvenaria e coberto por folhas de zinco, ao qual se veio dar  o nome de Pavilhão Polytheama. Primeira fase – O pavilhão inaugurado em 1911, embora sem requintes de conforto, cumpriu, de forma altaneira, a função a que veio, abrigando as melhores companhias de ópera e bailados que se apresentavam na capital, bem como peças teatrais (encenadas, na maior parte, por grupos de origem italiana), espetáculos circenses e filmes do cinema mudo, que eram acompanhados por uma orquestra, que envolvia o expectador nos climas de suspense, de dor ou de riso, conforme o teor das cenas. As projeções do cinematógrafo eram feitas da parte detrás de uma tela de 3 X 4 m, que precisava ser molhada para se obter melhor transparência da imagem e também proteger a vista do espectador contra os raios produzidos pelo arco-voltaico. O operador sentava-se do lado direito do projetor e movimentava a película por meio de uma manivela. As partes do filme principal eram emendadas de duas em duas, evitando, assim, as muitas interrupções que se tornaram obrigatórias para o recebimento e troca das bobinas. Na metade da sessão observava-se um intervalo de aproximadamente dez minutos, dando tempo aos expectadores para tomar um café ou saborear as guloseimas que eram vendidas em frente ao pavilhão. Por ocasião dos espetáculos circenses, removiam-se a tela e parte do assoalho que ocultava o picadeiro próximo do palco. Nessa fase, foram ali exibidos vários filmes de sucesso, como A Caipirinha, que contava com música própria e orquestra com corpo coral vindo da capital, e O Garoto, de Charles Chaplin. Já no início da década de 1920, o Polytheama recebia a Companhia de Operetas “Clara Weiss”, com quatro recitais: La Duchesa Del Tabarin, Geisha, Cantadino Alegre, La Signorina Del Cinematografo. No segundo semestre de 1924, tanto o Polytheama como os teatros Rio Branco e República acabaram transformados em abrigo para centenas de refugiados do movimento revolucionário eclodido na capital paulista. Cine-Teatro – A empresa arrendatária do Pavilhão Polytheama, Cia. Theatro República de Jundiaí, fez realizar, em 1927, uma grande reforma no pavilhão, transformando-o no maior teatro do Estado de São Paulo, contando-se todos até então existentes (214), inclusive na capital. Com as obras realizadas sob direção e responsabilidade do engenheiro Emmanuel Gianni e do mestre-construtor Giácomo Venchiarutti, tendo como frentistas, entre outros, Levada & Mila, Domenico Venitucci e Alberto Galeto, no lugar do antigo pavilhão surgiu um prédio com três pavimentos, sendo o primeiro ocupado pela plateia, composta por 1.400 cadeiras, e por 40 frisas, comportando 200 pessoas; o segundo, por 44 camarotes, comportando 220 pessoas; e o terceiro, pelos balcões e gerais, com mais 1.100 lugares. Todos os compartimentos tinham entrada independente, para facilitar o acesso e a saída dos expectadores. A cabine cinematográfica foi revestida de amianto para reduzir os riscos de incêndio. Todo o mobiliário foi fornecido por Guido Pellicciari & Cia. e a decoração interna ficou por conta do pintor Camilo Meloni. Já a iluminação foi entregue à responsabilidade da General Eletric, compondo-se de 1900 velas, estrategicamente distribuídas pelo recinto do teatro. A inauguração aconteceu em 25 de janeiro de 1928, uma quarta-feira, com a presença da Companhia de Operetas de Clara Weiss, que nesse dia representou a peça Frasquita e preencheu a programação do restante da semana com  A Viúva Alegre, Aqua Cheta e Eva. Cinema falado – Em 5 de junho de 1930, era o Polytheama o primeiro cinema da cidade a exibir um filme falado, atraindo uma multidão de expectadores para ver Broadway Scandals (Escândalos da Broadway ou Folias da Broadway), estrelado por Sally O’Neil, Jack Egan e Carmel Myers. Para permitir a instalação dos equipamentos do cinema sonoro, já em 1929 haviam sido suprimidos dois camarotes dos fundos da plateia. Nessa fase, os filmes eram exibidos pelo sistema vitafone. Ainda na década de 1930, eles passariam ao sistema movietone e, mais tarde, com telas maiores, chegaram ao cinemascope. Novas reformas – A segunda grande reforma do Polytheama ocorreu no final dos anos 40, atingindo a decoração do interior e a sala de espera, que foi ampliada, ganhando uma bombonière e novas bilheterias. A última reforma, antes do seu fechamento, deu-se no início dos anos 60, quando foram retirados oito frisas e oito camarotes, a fim de readaptálo para a exibição de filmes em cinemascope. Com isto, sua capacidade, que antes era de 2.920 lugares, caiu para 2.500. Decadência – Com advento da televisão, no início dos anos 50, começaram a se reduzir as plateias dos espetáculos de palco, o mesmo se dando em relação ao cinema, cujos aficionados, antes, chegavam a superlotar as sessões, em qualquer dia da semana. Sem renda suficiente sequer para cobrir os custos de manutenção, o velho cinema acabou fechando em 1972, e o seu prédio foi colocado à venda. Um dos últimos filmes a empolgar o público telespectador foi Lovy Story, ali exibido em 1971, e o último espetáculo operístico ali representado, antes do fechamento definitivo, foi La Traviata, de Giuseppe Verdi, numa primorosa montagem da Sociedade de Música Pio X, sob regência do maestro Mário Comandulli. Como não encontrasse compradores, o velho prédio entrou em acelerado processo de deterioração, passando, além disto, a ser alvo de atos de vandalismo.  Desapropriação e resforma – Decorreram quase dez anos até que o Poder Público se conscientizasse da importância de preservar o antigo cine-teatro, pelo qual passaram os maiores intérpretes da música lírica internacional e que também foi palco de inúmeras festas populares, como o carnaval e os concursos para escolha da música-símbolo da Festa da Uva, dentre outras. Feita a desapropriação do prédio, em 1981, na gestão do prefeito Pedro Fávaro, mais outra década escoaria até que se iniciassem as obras de restauração, embora os estudos nesse sentido começassem de imediato, sob coordenação do arquiteto Ariosto Mila. A partir de 1985, a condução deste trabalho ficou entregue à equipe da Arquiteta Lina Bo Bardi, que, afinal, em 1987, apresentou sua proposta de recuperação do prédio, privilegiando a sua função como teatro. Por fim, feitas as obras previstas, o Polytheama foi reaberto em 16/12/1996, com capacidade para abrigar 1.236 pessoas.

Programa do Cine-Theatro Polythema em 15 de junho de 1916
Filmes do Ideal, República e Polytheama no mesmo programa: 14/8/1928
Programa do primeiro filme falado: 5/6/1930
Vista interna do Polytheama, depois de restaurado, em 1996
Detalhe do lustre, com 365 peças de cristais, criado por Roberto Aguilar

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EFEMÉRIDES
Em 22 de abril de ...
1934 Nascia em Jundiaí a professora e musicista Janet Ferreira Prado.
1966 Nascia em Jundiaí a jornalista, advogada, professora universitária e escritora Kátia Raquel Bonilha Keller.
1970 Nascia em Ouro Verde-SP o ator Vanderlei Dias de Oliveira.  

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