MOJOLA, MAURÍCIO DUMANGIN

(Campinas-SP, 20/5/1935 +Jundiaí, 13/10/1973) – Pintor, desenhista, escultor e gravador. Filho da professora e pianista Haydée Dumangin (compositora do Hino da Festa da Uva de 1934 e do Hino de Jundiaí) e do médico Pedro Calau Mojola. Desde a infância lhe foi traçado seguir a carreira do pai, embora revelasse, já nos primeiros estudos, grande inclinação para o desenho. Uma vez concluídos, em Jundiaí, os cursos Primário, Ginasial e Científico, Maurício foi encaminhado para um curso preparatório, na capital, visando o seu ingresso numa faculdade de medicina. Prestando vestibular na faculdade de Sorocaba, obteve aprovação, porém não a concretização da matrícula, devido à insuficiência de verba escolar. Este fato, ao invés de entristecê-lo, lhe causou grande alegria, posto que, na realidade, o que mais o atraía nos estudos não era a Medicina, mas sim, as artes plásticas. Matriculou-se, então, num curso livre da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde se confirmou essa vocação, estudando com artistas que logo se tornariam nacionalmente conhecidos: Evandro Carlos Jardim, Cláudio Kanpermann, Wesley Duke Lee, Renato Luiz, José Luiz de Queirós, Giselda Leiner, Trindade Leal, Zita Viana de Barros, Rubens Gerchman e José Roberto Aguilar, entre outros. Concomitantemente aos estudos na FAAP, Maurício Mojola trabalhou para Conrado Sorguenitcht, na análise de quadros de artistas para reprodução em vitrais e mosaicos. Em seus momentos de folga, desenvolveu um painel, que foi apresentado no 22º Salão Paulista de Belas Artes e que lhe rendeu a Medalha de Prata. Também conquistou um prêmio-aquisição no Salão de Arte de Santos e participou de várias coletivas com os colegas da FAAP, inclusive, uma delas, no saguão do Cine Apolo, que era dedicado ao cinema de arte. Em 1963, fez-se merecedor, por concurso, de uma bolsa do governo francês para a Escola de Belas Artes de Paris, a fim de especializar-se nas diversas técnicas de gravação com os mestres Couteau e Carmit. Nesse período, (1964/65) expôs com os colegas em Caem (França) e em Antuérpia (Bélgica). Em novembro de 1965, expirado o prazo de validade de sua bolsa de estudos, e informado de que sua mãe se encontrava gravemente enferma (Haydée Mojola faleceria logo no mês seguinte), Maurício regressou a Jundiaí. Seu retorno à França deu-se no ano seguinte, após ter participado de uma coletiva em São Paulo, na Sala São Luiz, onde expôs ao lado dos artistas Antonio Thyrso Pereira de Souza, Ari de Moraes Possato, Braz Dias e Silvio Frank Oppenheim. Para sustentar-se na França, aonde viveu até 1971, recorreu aos mais diversos tipos de trabalhos, desde varredor de butiques a decorador dessas lojas, além de comercializar os seus desenhos, pinturas e gravuras junto a colecionadores de toda a Europa. Nessa sua segunda estada na França, recebeu de um dos diretores da Écoli Nationale de Beaux-Arts, o seguinte elogio: “Há dentro da obra de Maurício Mojola qualquer coisa a mais que um apreciável talento: é a incrível força de expressão que o obriga sempre a ceder aos seus instintos, mais que seguir com dedicação e disciplina sua parte impaciente. Assim, este jovem brasileiro é verdadeiramente um gravador nato (…) Este artista é um daqueles que participam desta autenticidade de estilos, de tradição de tendências, que termina por formar dentro da parte Sul do continente americano uma arte viva, curiosamente autônoma, que nasce e se desenvolve singularmente, incorporando-se em uma espécie de renascimento das artes autoctones dos índios e das visões dos meios de expressão ibéricos, onde falam Portugal e a Espanha de Goya.” Em 1971, foi o adoecimento do pai que fez o artista regressar mais uma vez ao Brasil. Sua estada em Jundiaí prolongou-se por mais tempo, estimulada pelo convívio com outros artistas e amigos das rodas boêmias, que nunca deixara de frequentar. Faltavam quatro dias para seu retorno à França, quando, em 13 de outubro de 1973, Maurício Mojola foi encontrado morto em seu apartamento. Fora vítima de um enfarto enquanto dormia. Entre as muitas homenagens póstumas que lhe foram prestadas, são de se destacar a destinação, em 1975, de uma sala especial às suas obras no III Salão Arte Contemporânea organizado pela Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí; a denominação de Sala Maurício Mojola à galeria de arte do Gabinete de Leitura Ruy Barbosa; e a exposição realizada em sua memória no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, em 1985, através do projeto Raízes da Arte, então desenvolvido pela Comissão Municipal de Artes Plásticas. Mostra semelhante voltou a ser feita em 2005, reunindo gravuras, estudos e placas originais de cobre e zinco cedidos por colecionadores e amigos do artista, com curadoria de João Borin.

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EFEMÉRIDES
Em 20 de julho de ...
1885 Nascia em Itu-SP o músico e maestro José Maria dos Passos.
1938 Falecia em Jundiaí, aos 63 anos, o médico Domingos Anastasio.
1947 Falecia em Jundiaí, aos 41 anos, o Professor João Muto.
2001 Falecia em São Paulo, aos 30 anos, o ilustrador e criador de histórias em quadrinhos e livros infantis Émerson Eduardo Luiz.
2002 Falecia em Jundiaí o ritmista Island Júnior.
2003 Falecia em Jundiaí, aos 90 anos, o violonista amador José Levada. Falecia em Jundiaí, aos 90 anos, o violonista amador José Levada.
2019 Falecia em Jundiaí o metalúrgico, radialista e ex-vereador Rolando Giarola.

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