GRUPO PERFORMÁTICO ÉOS

Criado em 1992, o Grupo Éos vem contribuindo sistematicamente para o aumento das opções culturais de Jundiaí e formando uma mentalidade crítica entre seu público, estando sempre em busca de novos caminhos dentro do universo da Arte Dramática e da linguagem performática. Por meio de estudos de linguagens, novas técnicas, novas estéticas teatrais e exploração de espaços cênicos não convencionais, o Éos desenvolveu-se e estruturou-se, sendo atualmente, portador de identidade própria, facilmente reconhecida em seus espetáculos. Além de atores, diretores, músicos e artistas plásticos, o elenco do Éos se desdobra em produtores, divulgadores, administradores e técnicos. Com apenas três integrantes em sua formação original, esse grupo conseguiu manter uma continuidade e homogeneidade em sua produção, sem desviar de seus objetivos básicos e sem se descaracterizar Chove Muito Lá Fora – o primeiro trabalho do grupo – foi tirado por Ivan Cabral de uma tese defendida na Universidade de Curitiba sobre as indagações de Shakespeare Qual é a sua substância? Do que você é feito? Que milhões de estranhas sombras caem sobre você?. Numa linguagem complexa calcada no teatro do absurdo, foi desenvolvido um trabalho psicológico. Em 1993, o Éos novamente trabalhou com texto de Ivan Cabral, montando o espetáculo Uma Arquitetura para a Morte. Assumindo novos desafios, em 1994, o grupo resolveu trilhar os caminhos da comédia, tanto para atingir novas audiências como, principalmente, para desafiar-se. Surgiu, então, a peça Isso. Juntando ao humor uma profunda crítica da condição humana e utilizando-se justamente da inteligência, o espetáculo levou seus espectadores da perplexidade à gargalhada. Numa colagem de textos adaptados e criados por Juliana Galdino e Silviane Ticher, o homem, como criatura, surgia no palco fazendo e contando a sua história, desde a criação do mundo. Amor Sem Limites, a peça seguinte do grupo, surgiu em 1994 como uma performance para as comemorações do Dia do Teatro e do Circo, sendo depois reestruturada por Silviane Ticher – graças à pesquisa de linguagem da época e com um cenário e figurino bregas –, tomando o formato de uma radionovela e acabou se transformando num espetáculo bastante divertido, ou, como definiu Sebastião Milaré, jurado do XX Festival de Teatro de Pindamonhangaba, “É uma grande besteira, porém, uma besteira feita com talento, pois tanto o diretor quanto os atores enriqueceram seus personagens com genuíno talento para a comédia”. O ano de 1996 ficou marcado pelo grupo como sendo o ano das experimentações. Pela primeira vez, Éos trabalhou em coprodução com o Grupo Brainstorm, também de Jundiaí, resultando dessa colaboração o monólogo Atualidade do Ovo e da Galinha. Escutar as imagens, ver as palavras e tocar a música, criando uma atmosfera de sonho e pesadelo, foi a essência de Atualidade do Ovo e da Galinha, uma adaptação de Mário Rebouças de textos de Clarice Lispector. Com essa coprodução, os dois grupos conseguiram destaque no Estado de São Paulo, sendo a peça escolhida como melhor espetáculo de toda a região de Campinas-SP. Ainda em 1996, o Éos decidiu retomar o texto de Uma Arquitetura para a Morte, desta vez em sua forma original, em que a atriz Cristina Guimarães desenvolveu um monólogo. Concebido para ser apresentado fora de palco, estreou nos porões da Sala Glória Rocha (Jundiaí) para um grupo de 40 pessoas, sendo aclamado como uma grande novidade para o público jundiaiense. Após o monólogo, o grupo montou Contos de Farsa. Em 1997, sentindo a necessidade de trazer ao conhecimento da população autores consagrados, mas, ao mesmo tempo, desconhecidos do grande público, o grupo decidiu trabalhar com um texto do autor belga Michel de Ghelderode, de modo a abranger, a fantasia dramatúrgica do teatro universal. O espetáculo Os Cegos – Um Ato Baseado Em Brueghel, o Velho, fez com que o Éos tivesse reconhecimento mundial, recebendo atestado da Fundação Internacional Michel de Ghelderode, com sede em Bruxelas-Bélgica, como único representante brasileiro das comemorações do centenário de nascimento do autor. Em 1999, o grupo resolveu reativar um projeto acalentado desde 1994 e, por diversas vezes, adiado. Então, surgiu Joana, o Mito, contando a trajetória da heroína francesa Joana D’Arc. Percebendo, por meio de pesquisas, que este mito está presente na cultura francesa e na brasileira, de formas diferentes e em diferentes graus de importância, o Éos optou, por introduzir na encenação elementos que mostrassem a maneira como Joana está presente na cultura brasileira, baseando-se no sincretismo religioso Igreja Católica/candomblé, Santa Joana/Obá. Além disso, a montagem optou por usar um espaço diferente do teatro convencional, sendo a apresentação feita num espaço cênico com o formato de um corredor, com público de ambos os lados, sentados em arquibancadas e limitado a apenas 120 pessoas por sessão. Cronologia das peças: 1992 – Chove Muito Lá Fora (texto: Ivan Cabral; direção: Carlos Pasqualin); 1993 – Uma Arquitetura para a Morte (texto: Ivan Cabral; direção: Carlos Pasqualin). Participou da XII Mostra de Artes da Faculdade Alcântara Machado; 1994 – Isso (texto/adaptação: Silviane Ticher e Juliana Galdino; direção: Carlos Pasqualin). Participou da I Mostra de Teatro de Jundiaí e do VII Festival Santista de Teatro Amador; 1995 – Amor Sem Limites (texto: Grupo A gente não sabe onde está o Rio; adaptação: Silviane Ticher; direção: Carlos Pasqualin). Participações: XX Festival Estadual de Teatro de Pindamonhangaba (indicado para os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Figurino); II Mostra de Teatro de Jundiaí; Mapa Cultural Paulista/99 / Fase Regional (grupo convidado para a mostra de encerramento do concurso); 1996 – Uma Arquitetura Para a Morte (monólogo) – (texto: Ivan Cabral; direção: Carlos Pasqualin). Participações: IV Festival Nacional de Monólogos de Jundiaí (indicado para os prêmios de Melhor Atriz, Figurino e Cenário); Atualidade do Ovo e da Galinha (texto: Clarice Lispector; adaptação: e direção: Mário Rebouças). Participações: IV Festival Nacional de Monólogos de Jundiaí (prêmios de Melhor Espetáculo, Direção e Melhor Ator; indicações de Melhor Iluminação, Sonoplastia e Figurino); Mapa Cultural Paulista/96 (prêmios de Melhor Espetáculo, Ator e Iluminação, na Fase Regional do concurso); Contos de Farsa (texto: Juliana Galdino e Silviane Ticher; direção: Carlos Pasqualin). Participações: I Mostra Oficial de Teatro de Jundiaí/97; 1997 – Os Cegos – Um ato baseado em Brueghel, o Velho (texto: Michel de Ghelderode; tradução: Ricardo Carvalho; direção: Carlos Pasqualin). Participações: Comemoração do Centenário do Autor, I Mostra Oficial de Teatro de Jundiaí/97; II Festival Iguapense de Teatro Amador (prêmios de Melhor Espetáculo, Produção, Direção, Cenário, Figurino, Maquilagem, Atriz, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante e Atriz Revelação; indicações para os prêmios de Ator Revelação, Sonoplastia e Iluminação); IV Prêmio Carlos Pouza de Teatro Amador, de Salto-SP (Melhor Maquilagem e Coreografia e indicações para os prêmios de Sonoplastia, Figurino e Atriz Revelação); Mega Mostra Cena Jovem/98 (Rio Claro-SP); 5° Porto Alegre em Cena (grupo convidado); II Festival Nacional de Artes Cênicas de Americana (prêmios de Cenografia e Maquilagem e indicações para os prêmios de Figurino e Iluminação); XXIII Festival Nacional de Pindamonhangaba (indicações para os prêmios de Figurino e Iluminação); 1999 – O Circo (coprodução com Cirque Ahbauí; direção: Carlos Pasqualin); 2000 – Joana, o Mito (texto: Silviane Ticher; direção: Carlos Pasqualin; Prêmio Estímulo Carlos Miranda da Secretaria de Estado de Cultura. Participações: Mapa Cultural Paulista 2000 (Espetáculo, Direção, Atriz, Texto Original, Cenário, Música Original e Ator Revelação). Integrantes em 2000: Carlos Pasqualin (diretor), Ana Luiza Verrone (atriz), Alice Possani (atriz), Helena Sereia Rodrigues (percussionista), Júlio César Machado (ator), Luciano Gomes (ator), Paula Possani (atriz), Ricardo Carvalho (ator, cenógrafo, figurinista) Silviane Ticher (iluminadora), Ulisses Vertuan (ator).

Muito Lá Fora, montagem do Éos de 1992. Em cena: Regina Monteiro, Marici Niciolli, Ricardo Grasson e Antonio Martins
Joana, o Mito, Prêmio Estímulo Carlos Miranda da Secretaria de Estado da Cultura conquistado pelo Éos em 2000. Em cena: Paula Possani e Júlio Machado.
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EFEMÉRIDES
Em 16 de junho de ...
1927 Nascia em Jundiaí o escritor jurídico e fotógrafo amador Walter Campaz.
1952 Nascia em Morungaba-SP a contista, cronista e artista plástica Maria Helena de Paula Gomes Dias (Lena).
1966 Falecia em Jundiaí, aos 73 anos, o professor João Duarte Paes.
1982 Falecia em Jundiaí, aos 47 anos, o professor, jornalista e radialista Nelson Álvaro de Figueiredo Brito.
1987 Falecia em Jundiaí, aos 83 anos, o intelectual autodidata Walter Gossner.    
2023 Falecia em Jundiaí, aos 82 anos, o advogado, radialista e professor universitário Reinaldo Ferraz de Barros Basile.

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